quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dependência química - O Crack - Parte II

Dando sequência ao ultimo post . . .

De acordo com Silveira Filho (1996), o termo dependência refere-se a comportamentos de abuso ou excesso que acaba por desencadear algum tipo de problema. Tais comportamentos têm em comum a falta de limites. Há inúmeros tipos de dependências tais como: à cocaína, ao crack, à bebida alcoólica, ao tabaco, à comida, ao chocolate, entre outras.

Segundo Migott (2007), o consumo de substâncias psicoativas é uma característica comum a populações da maioria dos países. As variáveis ambientais, biológicas, sociais e psicológicas atuam simultaneamente e influenciam indivíduos ao uso de drogas, o que se deve à interação entre o agente (droga), o sujeito (indivíduo e a sociedade) e o meio (contextos sócio-econômico e cultural).

De acordo com Silveira Filho (1996), quando pensamos em dependência química devemos levar em consideração que esta engloba dois outros tipos de dependência, a dependência psíquica: “estado mental caracterizado pelo impulso a utilizar uma droga psicoativa periódica ou continuamente com a finalidade de obtenção de prazer ou de aliviar uma tensão” (p.3) e a dependência física: necessidade por parte de um organismo do aporte regular de uma molécula química exógena para a manutenção de seu equilíbrio esta dependência é objetivada por sintomas físicos e psíquicos, que sobrevêm por ocasião da privação, constituindo a ‘síndrome de abstinência’. A tolerância é um estado de adaptação do organismo a uma substância, decorrente da necessidade de manutenção de sua homeostase, manifestando-se pela necessidade de aumentar a quantidade do produto para obtenção dos mesmos efeitos (SILVEIRA FILHO, 1996, p.3).

Sobre o CRACK: forma menos pura da cocaína, o crack tem um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição. Além de se tornarem alvo de doenças pulmonares e circulatórias que podem levar à morte, os usuários se expõem à violência e a situações de perigo que também podem matá-lo. Por essa caracteristica da droga - intenso prazer com curtissImo tempo de duração, um dos grandes problemas do dependente de crack é o craving. O craving ou “fissura” - como é designado, popularmente, pelos dependentes químicos no Brasil - é um conceito um tanto controverso. Pode-se aceitar a definição mais comum e considerar que é um intenso desejo de utilizar uma especifica substancia, ou, então, concordar com outros vários conceitos descritos pelos pesquisadores deste tema: desejo de experimentar os efeitos da droga; forte e subjetiva energia; irresistível impulso para usar droga; pensamento obsessivo; alivio para os sintomas de abstinência; incentivo para auto-administar a substancia; expectativa de resultado positivo; processo de avaliação cognitiva e processo cognitivo não-automatico. (ARAÚJO et al., 2008, p.57). OU SEJA, tratar um dependente de crack definitivamente não é tarefa fácil.

Sendo assim, vejo a internação compulsória como algo invasivo e sem futuro. Afinal essa ação esta sendo pensada em favor de quem? Não me parece, em absoluto, ser em favor do dependente. O envolvimento do paciente com a sua própria condição, a adesão ao tratamento, são elementos funtamentais para que este possa ter algum sucesso. Sendo realizado um trabalho satisfatório, enquanto pacientes, os dependentes químicos assumem dois papeis, são objetos do tratamento, assim como agentes de ajuda um do outro. Qual a possibilidade de isso acontecer a partir de uma internação compulsória?  Sejamos honestos, tende a zero!

Se realmente queremos pensar em um tratamento que possa ser eficaz ao dependente de crack, devemos ter claro que este não se trata de um "caso de polícia" mas sim um sério problema de SAÚDE e SOCIAL. Ou seja, é evidente a necessidade de uma equipe multidisciplinar, envolvendo médico psiquiatra, clínico geral, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais. É fundamental um espaço adequado,  o estabelecimento de uma relaçãode confiança. Mais importante do que tudo isso, é levar em consideração  que o dependente de crack não é uma pessoa diferente de nós, é deixar o preconceito de lado e termos claro que se trata de pessoas e não de sacos de lixo que podem ser  simplesmente removidos e facilmente transportados para onde menos incomodar os que estiverem por perto.

2 comentários:

  1. Nossa, amiga... mandou bem! É isso aí, concordo em gênero, número e grau! São pessoas que precisam de uma atenção especial, desde o momento dos profissionais se aproximarem até o momento da realização de um tratamento, se for do consentimento do usuário! Medidas forçadas só confirmam a dominação dos mais poderosos contra aqueles que são marginalizados da sociedade! E isso só favorece aqueles q tem sede de poder... ou seja, pra calar a boca da população e FINGIR q alguma coisa está sendo feita com relação à "escória que enfeia nossa cidade"! Absurdo! =/
    beijosss, SAUDADES!

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  2. Alinie,

    adooooro suas visitas! ! ! Eu realmente sinto falta do tempo em que eu trabalhava com dependentes quimicos. Eu entendo perfeitamente que as pessoas nao saibam lidar com a situacao/ideia, a questao de interacao mesmo, com o dependente quimico. Eh dificil mesmo lidar, por exemplo, com a alteracao de humor, a agressividade (em determinados momentos), o descontrole, toda essa dificuldade. . . O que eu nao consigo (e nem quero) entender, porem, eh o porque das pessoas se julgarem superiores e acharem como melhor solucao "atacar uma bomba" e acabar com tudo. Sim, eu ja ouvi muuuuito isso ! ! !
    Ah... mas isso, realmente, nao eh algo simples, por isso digo que eh necessario profissionais preparados e uma grande equipe ! ! !

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