terça-feira, 30 de agosto de 2011

Antes de tudo a humanização

Morei durante toda a minha vida, até uns dias atrás, do lado do complexo do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP. Um pouco disso e das crises de bronquite da minha irmã mais nova, do meu irmão e da minha mãe, acompanhadas durante toda a minha infância, me inclinaram a responder (ainda quando criança) ao "o que você vai ser quando crescer?" com a palavra medicina. Quando fui tomando mais dimensão das possibilidades desta profissão, decidi então que meu objetivo era cursar medicina para me especializar em psiquiatria. Lembro-me até hoje de um texto que li que dizia sobre as diferenças entre Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise, durante um tempo utilizado para explicar para as pessoas o porquê de minha escolha.
Estudei, até a faculdade, em instituições públicas e para tentar amenizar a diferença entre eu e os concorrentes, lá se foram três anos de cursinho. Aí no meio disso, fui fazendo outros laços e decidi então entrar na graduação em musicoterapia, que por um ano foi conciliada com meu último de cursinho. Pronto, foi ficando cada vez mais claro que não era medicina e muito menos musicoterapia, aguentei mais um semestre lá e comecei a procurar pelo curso de psicologia. Depois de três anos de cursinho e um ano e meio de musicoterapia, entrei na psico.
No início foi muito conflituoso, isto porque eu adorava o curso e mesmo as disciplinas iniciais, me cativaram, mas o clima da sala me matava. Parte da galera levava na brincadeira, e para mim aquilo era enlouquecedor. Sim, já era chata no início do curso, mas me continha e ficava na minha, na verdade demorou muito tempo para eu me convencer que valia a pena me manifestar por lá. Enfim, foi um processo repleto de dificuldades, mas que também me propiciou alguns encantamentos, que no decorrer dos cinco anos ganharam algum grau de maturidade.
Achei aliados na crença que poderia haver uma luta pela transformação social e pela construção de novas formas de se relacionar com o outro. Entrei nas instâncias estudantis e fui discutir tudo isto dentro da universidade, o que me trouxe algumas dores de cabeça, mas que não me arrependo de ter feito. Paralelo a isto, a educação e a psicologia social me encantaram. Aí novas alianças foram feitas e as tenho até hoje, decorridos quase três anos.
Bom, eu sempre fiz um monte de coisas ao mesmo tempo, me envolvia em diversas atividades simultâneamente e não daria conta de dizer aqui, em um texto breve, o quão elas só afirmaram ainda mais minha paixão pela psicologia, pela possibilidade que ela parece me dar para minhas grandes defesas: a potencialidade de mudança, do tornar-se humano e enxergar no outro a mesma humanidade.

Até semana que vem,
Patrícia Andrade

11 comentários:

  1. Ah, esse espaço é muito pequeno mesmo. A vida acadêmica fora da sala de aula é tão enriquecedora, uma pena que nem todos tenham se dado conta disso. Eu participei de algumas coisas e até me arrependo de ter deixado que algumas diferenças pessoais me imobilizassem, mas ainda acho que fiz o que era possível na época. Hoje, talvez, eu agiria de forma diferente...
    Nossa Pati, pra mim foi uma surpresa vc ter pensado e estudado pra entrar na medicina. Ufa, ainda bem que não roulou rsrs.

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  2. Concordo com a Isa, q bom q escolheu a Psicologia e q bom poder dividir alguns momentos de aprendizado, discussão e mesmo de conversas informais com vc, Pati! Sempre tão crítica sem ser chata, e levando-nos a pensar em diversas possibilidades de se enxergar um único fenômeno!
    Q vc não perca essa maneira de questionar brilhantemente!
    beijosss

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  3. Eu só vou discordar de uma coisinha que a Alinie disse, você é chata, sim hahaha. Mas como eu disse no meu post, isso está longe de ser um problema.
    A pessoa que é mais crítica é quase sempre vista como chata porque porque apontar as contradições incomoda muito os outros. Tem gente que leva a crítica pro pessoal, como ofensa.
    Eu já ouvi cada coisa na hora do debate... "radical", "xiita", "prepotente" (como seu eu me excluísse dos apontamentos).
    Melhor ser chato do que alienado.

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  4. Também fico muito feliz de ter escolhido esta profissão. Me achei nela. Alinie agradeço seus comentários e até a tentativa de me animar, mas acho que é isso mesmo, em razão de nossos posicionamentos levamos alguns estigmas; e a problematização e a chatice parecem andar juntas mesmo. E que nos venha o mundo.

    bjos

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  5. Eu li metade da primeira linha e sabia que o texto era da Patrícia, Senti um estalo "gostoso". Cinco anos permitem que a gente se aproprie de muitas características das pessoas, não?!
    Enfim, enquanto lia o seu texto, fiquei pensando, principalmente, no meu caso, como a Psicologia me ajudou a compreender que a sociedade é uma extensão de mim mesma e, somente compreendendo esta dimensão é que podemos "encontrar no outro a mesma humanidade".
    E outra...quem foi que disse que ser crítico é fácil? Até parece...as pessoas acham que fazer uma crítica é fácil ("criticar é fácil, quero ver fazer"), quanta ignorância! Criticar é algo MUITO difícil e corajoso. Afinal, não é qualquer um que se dispõe a fazer apontamentos. Além disso, quem foi que disse que quem faz uma crítica precisa ter respostas na ponta da língua, certo? Quantas vezes eu fui crítica?! Milhares, mesmo sem ter respostas, mas justamente para que, juntos, pudéssemos construir novos horizontes =)

    Ahhhh, que bom ter vocês por aqui.

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  6. Ah, gente... sinceramente? Não acho q vcs são chatas, acredito q isso depende do modo como as pessoas enxergam esses questionamentos. Como a Isa disse mta gente leva pro lado pessoal, oq não tem nada a ver! É maravilhoso poder repensar a respeito de algumas coisas e talvez até mudar o ponto de vista! Só depende de como as críticas são compreendidas, mas penso eu q é um modo de podermos evoluir, senão seríamos todos robôzinhos q apenas aceitam e seguem as ordens impostas socialmente!
    beijosss

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  7. Huum...como é gostoso poder ler coisas deste tipo, e como a Laís falou, com o passar dos anos consiguimos reconhecer nossos colegas (nem todos, claro!!!), pelo mode de reproduzir em palavras os seus pensamentos... Era você escrevendo, sem dúvidas, era você!!!

    Algo que constato agora é que poucas vezes trabalhamos juntas durante o curso (fora a Pró-sangue, né ;)), olha só, não nos faltarão oportunidades!!!!

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  8. Nossa, Winnie, agora vc me fez pensar em uma coisa... de todos os autores do blog, só com vc eu fiz um PIP (que aliás ficou show de bola). Com os outros, apesar de rolar bastante identificação, nunca fiz nada junto. Poxa, que pena =/

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  9. Pois é...acho que fora você, também não trabalhei com nenhum dos outros.... Interessante, né?! Mesmo tendo concluído o curso ainda temos muita coisa nova pela frente ! ! !

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  10. relendo, percebi dois errinhos ali em cima, mas acho que mesmo assim deu para entender!!! rs

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    auhauahuahauhauhauahuahauhauahauhauah

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  11. Sabe meninas também acredito que teremos a oportunidade de desenvolver muitos projetos juntas, pois compartilhamos de uma perspectiva de nossa área, os referenciais podem até ser diferentes, mas o objeto/objetivo não.

    E concordo com as afirmações que depois de terminada a graduação ficou impresso o "jeitão" de cada um.

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