segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu e a Psicologia, a Psicologia e eu


Muito interessante como essa primeira proposta de blogagem coletiva me trouxe várias lembranças e ainda me fez perceber o quanto mudei nos últimos anos. E é impossível pensar nas minhas motivações para escolher a Psicologia, sem pensar nos tempos de escola.

Sempre fui um ano adiantada, geralmente a mais nova da turma. Com uma mãe educadora e um pai que ama livros (até livraria já teve), não consegui escapar muito disso. Eu e meu irmão estávamos fadados a seguir a área de humanas.

No primeiro ano do Ensino Médio, comecei a pensar no meu futuro de maneira mais concreta. Tive aula de Psicologia somente naquele ano com um professor chamado Flávio, e eu adorava. As aulas, quase sempre com as cadeiras em círculo, eram um espaço de discussão. Ele pouco escrevia na lousa. Falávamos sobre sexualidade, profissões, preconceito, trabalho em grupo. E meu coração começou a bater mais forte. Cada pesquisa que eu fazia sobre o curso, cada conversa com profissionais da área me deixavam com mais certeza do que eu queria, mesmo não tendo certeza sobre o que exatamente um psicólogo fazia. E com a dúvida: por que em algumas universidades Psicologia era considerada uma ciência humana, em outras ciência biológica ou simplesmente saúde em algumas?

Eu cheguei a fazer poucos meses de cursinho pré-vestibular com a esperança de entrar em uma universidade pública, mas o estresse e o desespero falaram mais alto. Vi o anúncio sobre o vestibular do Mackenzie, conversei muito com meus pais e prestei. Passei, e com 17 anos já estava matriculada no curso.

No começo era tudo (menos Estatística) legal e novidade. Aquele anseio de ler, as pessoas diferentes. A maior lua-de-mel. Tudo perfeito. Com o passar dos semestres, fui amadurecendo, fiz leituras mais críticas e vi que nem tudo são flores. Vi que a Psicologia pode ser uma ótima possibilidade para reflexão e emancipação do indivíduo, mas seu passado, algumas vertentes teóricas e instrumentos, revelam a tentativa de adaptação. Além disso, comecei a perceber que os defeitos da instituição de ensino eram bem maiores e mais complexos do que a mensalidade altíssima.

Me decepcionei com colegas e mestres, senti raiva da universidade, bati boca com a coordenação, achei que seria melhor desistir das pessoas. Tudo isso me marcou muito, pois as realizações não teriam o mesmo gosto sem essas experiências.

Não sei se foi o amadurecimento, a convivência com tanta gente interessante, meu gosto pela Psicologia Social, ou tudo junto... Mas hoje eu sou muito diferente daquela Isabela do dia da matrícula. Sou mais inquieta, mais crítica e, admito, mais chata, mas isso está longe de ser um problema. Esses cinco anos de academia me transformaram e me deixaram com a vontade de transformar tudo, ou melhor, acreditar nessa transformação.

Agora fica a dúvida: é possível não mudar em cinco anos? É possível não ser transformada pela Psicologia?



Meus passos na Psicologia estão apenas começando. Eu mal consigo ver o limite.

9 comentários:

  1. Mto bom, Isa... fui lendo e me emocionando ao recordar minha própria experiência tb, além de compartilhar algumas das histórias citadas por vc... rs..
    beijosss

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  2. Valeu, Niê. Apareça sempre por qui! Beijosss

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  3. Isa fui embalada pelo seu relato. Também compartilho de sua indagação:"é possível não ser transformada pela psicologia?". Alguns deixam mais evidente que não - que foram transformados - pois demonstram, assim como você o fez no seu texto, que se deixam afetar, de algum modo, no encontro com o outro. Para outros, penso que a pergunta deve ser feita com mais objetividade, já que persistem em serem discretos.

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  4. Parabéns Isa, muito bacana o blog! Vou acompanhar!
    Beijos

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  5. É incrivel... Nossas histórias de vida podem ser completamente diferentes, mas o que vivemos, as transformações, o amadurecimento, os descobrimentos, para muitos (ou talvez, poucos) foram muito parecidos. Isso faz com que eu, asssim como a Alinie, me veja e me encontre nas suas palavras e acho que vai ser assim om mais alguns colegas... Áhhh... já estou adorando isso... Que delícia esse primeiro post!!!

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  6. Texto muito bem escrito e tocante. Mas vou tentar ler novamente com viés crítico, pois minha tentação é elogiá-la. Parabéns! bjs

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  7. Eu já amo isso aqui! Tem como não?
    Ê saudade...
    Eu sempre achei que nós não somos nós quem escolhemos a Psicologia, é ela que nos escolhe. Até hoje eu não sei responder adequadamente o motivo pelo qual escolhi a Psicologia. Nunca tive essa matéria no ensino médio. Certo dia, fiz uma "orientação profissional", essas meia-boca de sites que adolescentes visitam e o resultado foi: relações públicas, serviço social, psicologia. Nessa ordem. No dia seguinte comprei um periódico e tinha feito a minha decisão. Simples assim. E eu sei que acertei em cheio! E não tenho dúvida que a minha história de vida, tudo que eu passei, vivenciei e presenciei durante 17 anos me inclinaram fortemente a "aceitar" a tão encantadora e desafiado Psicologia como profissão! =)

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  8. Com certeza me identifiquei muito com o seu post Isa...
    Fico muito feliz de saber que nos transformamos juntas nesta trajetória!!

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  9. Acho que o momento de entrada e saída da faculdade são dos pontos críticos na vida de qualquer pessoa. Não quero cair em estereótipos de lugares comuns acadêmicos, mas são, inegavelmente, dois grandes ritos de passagem. Como você bem escreveu, você se matriculou no curso com dezessete anos, recém-formada do colegial; saiu uma mulher formada cinco anos depois. Cinco anos, principalmente esses cinco anos que embojam o final da adolescência e o começo da vida adulta, é muita coisa.

    Mais ainda, durante esses cinco anos você teve acesso a um patel de leituras e e discussões críticas que lhe influenciaram e continuarão a influenciar profundamente por muito tempo. Não que tenha você ou qualquer outro aluno adquirido em cinco anos o conhecimento absoluto sobre a psique humana ou a compreensão magnânima de si mesmo; mas viu o caminho das pedras, e agora, minha filha, é uma vida de dúvidas, de visão crítica, de discussões e, talvez, de um pouco de "chatice" - estragando algumas discussões de boteco quando os outros só querem tomar uma breja e falar de futebol. Mas vale a pena.

    Não tem nada mais legal do que olhar pra trás e poder dizer com orgulho que você mudou, sim, que cresceu, sim, e que ainda tem muito mais o que mudar e crescer. Isto significa somente que os últimos cinco anos podem ser taxados de qualquer coisa, menos de em vão.

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