Hoje estou interrompendo minha sequência de textos sobre sexualidade para fazer uma denúncia para vocês de um caso que infelizmente não é único, nem isolado.
A violência contra a mulher, quando violência de gênero, é um fênomeno da sociedade machista e patriarcal em que vivemos. É recorrente, mas nenhum caso pode ser desconsiderado ou encarado com naturalidade. As mulheres que sofrem violência, seja física, sexual ou e/ou psicológica carregam as lembranças dolorosas, muitas vezes sem sequer compreender que são vítimas, por isso muitos casos não são denunciados.
O caso que conto aqui para vocês é do pastor da Igreja Apostólica, Aldo Bertoni, um homem de 85 anos que é considerado um santo, profeta ou divindade por seus quase 25 mil fiéis em todo o país. Há dois anos, uma mulher, frequentadora dessa igreja, denunciou ao Ministério Público o abuso do pastor, que dizia que seu toque e seu sêmen poderiam curá-la. Depois dessa denúncia, outras mulheres tiveram coragem e também denunciaram, mas todas foram desacreditadas pelos fiéis devotos e até mesmo pelos familiares.
Essa reportagem da TV Record mostra como é a devoção e os cultos. Os hinos, as orações, a espera pelo toque, a veneração. Tudo isso torna a denúncia ainda mais delicada. As pessoas, cegas pela fé, não admitem que o Irmão Aldo possa fazer mal a alguém, e mostram que o defenderiam acima de qualquer coisa.
O Ministério Público investiga o caso há 2 anos e já pediu a prisão preventiva do pastor, mas nada aconteceu ainda. Enquanto isso, questiono: quantas mulheres já passaram por isso e não tiveram essa coragem? Quantas mulheres nunca entenderam que estavam sendo abusadas, ou que elas eram vítimas, e não culpadas? Quantas mulheres ainda vão passar por isso, nessa ou em outras Igrejas??
Recomendo aqui um bom texto sobre violência de gênero: Contribuições feministas para o estudo da violência de gênero, de Heleieth I.B. Saffioti.
Enqunto isso pergunto a vocês: o que nós podemos fazer para mudar essa situação? E a Psicologia, como pode contribuir nessa mudança.
Esse texto na verdade foi mais uma manifestação de repúdio. Em outra postagem posso dissertar sobre a violência de gênero de maneira mais reflexiva, mas espero que possa gerar um pouco de discussão por aqui.
Semana que vem tem mais sobre sexualidade, não percam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário