terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma possibilidade de…

 

Semana passada iniciei este ensaio me propondo a discorrer sobre os processos de identificação e projeção e uma canção romântica brega. O universo sertanejo pra mim é o mais próximo. Torceu o nariz? Algo lhe dizia que ia ser uma MPB? Com muita sutileza vou dizer que você estava equivocado, não se atentou à palavra brega?

Pensei na canção A mulher em mim’ com a versão da interprete Roberta Miranda, mas desisti da ideia quando vi que esta é uma tradução de ‘The woman in me [needs the man in you]’. Sendo uma tradução, envolve outras questões, como a própria discussão de como ela foi realizada; e também, fiquei chocada em saber, gosto muito desta canção e isso confronta meu entendimento de que traduções de músicas recorrem a cópias mal feitas, o que a partir de então terá que ser revisto.

Depois de descartar esta opção fiquei mais uma vez na dúvida, duas outras canções me chamam muito a atenção. Ambas já foram interpretadas por vários cantores, o que remete à questão da performance. Uma delas - a primeira que cogitei - tem uma letra que me chama muito a atenção, porque a conheço desde muito nova e faz pouquíssimo tempo que a entendi. Na outra, que acabei escolhendo, o que mais sobressai para mim é a  interpretação, de um artista para outro muda muito.

Na busca que fiz no youtube de Majestade, o sabiá, muitos intérpretes diferentes. Entre eles: Chitãozinho e Xororó, Roberta Miranda, Jair Rodrigues, Inesita Barroso. Sempre achei que esta música falasse de um lugar bonito, que seria da infância do compositor, que  lhe trazia boas lembranças. Quanta projeção! Se for pela letra, o que ainda não excluí a projeção por completo, conta sobre a possibilidade de viver o mundo da fantasia (do faz-de-conta) internamente, e o ver sempre como uma descoberta de si mesmo, não perdendo o contato com a realidade (vista como dura), sendo o mundo interno algo transitável sempre que for da vontade. Isto fica evidenciado nos trechos “Meus pensamentos/ Tomam forma e eu viajo/ Vou pra onde Deus quiser” e “Vou voltar a realidade/ Prá este mundo de Deus/ Pois o meu eu/ Este tão desconhecido/ Jamais serei traído/ Este mundo sou eu”. Tudo isto pra dizer do meu encanto com esta canção. Percebem que a identificação permeia todo o meu discurso?

Agora a canção que escolhi, Evidências, cantada por Chitãozinho e Xororó durante um show deles. Mandei o link do youtube no hiperlink, sem a letra, porque quero me atentar a isto, ao conjunto da obra. Conheço esta canção já faz um tempo bom, acho até que ela é bem antiga, e inclusive não fui atrás da versão oficinal porque não se trata de saber se é verdade ou mentira, se a informação procede ou não, mas sim do depósito que fiz nela. Aí quando assisti este vídeo ele logo me chamou a atenção, a intepretação dada por Chitãozinho, para mim, é bem diferente da do Xororó, se um parece estar sentindo com profundidade, o outro, novamente para mim, beira o cômico, chegando algumas vezes a me tirar risadas. A performance deste segundo, o Xororó, é repleta de mímicas, algo bem gesticulado, eu resumiria em: didática. O que contrasta muito com a de seu parceiro e irmão. Sobre a mensagem, é um alguém masculino “é que eu sou loco por você”, que está dizendo de um impasse amoroso, entre continuar ou não neste relacionamento, estando mais inclinado a continuar “mas não posso imaginar o que vai ser de mim se eu te perder um dia”. Não vou esmiuçar muito a letra com a minha interpretação, quero que você-leitor também pense na sua.

Notou que eu não mencionei os compositores? Pois é, não nomeei, mas eles estão neste texto sim, preste atenção, de quem eu falo além de mim mesma quando digo dos possíveis significados?

Meu intuito era dizer sobre uma possibilidade de identificação, e vou encerrar por aqui. Senão fica denuncista demais de mim mesma.

Até semana que vem,

Patrícia Andrade

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