Um texto do Walter Benjamin estremeceu minhas bases hoje. Devo
dizer a verdade, elas já estão bambas faz um tempo, por várias razões.
No “Experiência” (as aspas são do próprio autor) Benjamin fala
de uma revolta contra o argumento do mais velho, do adulto, do experiente, do
vivido. A desmotivação alicerçada no acúmulo dos anos imputa(ria) para
a juventude uma fatalidade. As tentativas são vãs e levarão certamente ao
amargor da posteriori constatação que aquele que o aconselhou tinha razão. Mas
se assim o for, conforme reivindica Benjamin, estaríamos fadados à uma vida sem
sonhos, sem miras, sem vontades.
“Ele [o adulto] jamais compreendeu que existe outra coisa além
da experiência, que existem valores que não se prestam à experiência – valores a
cujo serviço nos colocamos. Mas por que então a vida é absurda e desconsolada
para o flilisteu? Porque ele só conhece a experiência, nada além dela; porque
ele próprio se encontra privado de consolo e espírito. E também porque ele só é
capaz de manter relação íntima com o vulgar, como aquilo que é o
“eternamente-ontem”” (p. 22).
Enfim, vou colocar a referência para que vocês também possam
ler, isto é, caso queiram né.
No começo de ano parece que temos a possibilidade de refazer
planos, de renovar desejos, fazer promessas. Se elas duram, ou quanto tempo
duram, é outra história. Mas há vontade, há sonhos, há espírito. Nos
relacionamos de forma diferente com o mundo, quebramos com a fatalidade da
experiência, do “isso não vai dar em nada”, ao menos inicialmente. Quer dizer,
nem sempre fazemos isso, mas somos impulsionados à.
Eu tenho a minha listinha pronta, e vou contar que tento levar
a cabo estes anseios, mas isso pouco interessa, ou interessa, sei lá eu.
Fica então a antítese: experiência/ano novo, não deu certo/vou tentar.
E como nem sempre as experiências são ruins (mas muitas vezes
nos esquecemos disso), como diz o próprio Benjamin, vou dizer que na minha
inexperiência faço o exercício de…de… reconhecer que ainda não vivi tudo e que
tampouco viverei, e a imensidão é inatingível. Mas o encontro com a nova
possibilidade não, sempre pode ser diferente.
“Diga-lhe
Que pelos sonhos da sua juventude
Ele deve ter consideração, quando for homem”
Por Patrícia F. de Andrade
REFERÊNCIA: Experiência em Reflexões sobre a criança, o
brinquedo, e a educação – Walter Benjamin (2009) – Coleção Espírito Crítico,
Duas cidades, Editora 34