quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A história da escravidão no Brasil, berço do preconceito

Aproveitando a minha inspiração neste feriado nacional (post elaborado em 15/01/2012): Dia de Martin Luther King, data que foi estabelecida em 1986 com um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King - sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao seus aniversário, trago um vídeo que achei bastante interessante sobre a história do negro no Brasil.


Trata-se de um documenário elaborado pela BBC. Este é legendado e está dividido em quatro pates de aproximadamente 12 minutos. Então, se você achar que vale a pena assistir os demais, só se você achar, continue assistindo as partes seguintes (eu sei que você o fará) . . .

E a pergunta é: como essa história, que "ficou para trás, lá tão longe", nos afeta nos dias atuais?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dependência química - O Crack - Parte II

Dando sequência ao ultimo post . . .

De acordo com Silveira Filho (1996), o termo dependência refere-se a comportamentos de abuso ou excesso que acaba por desencadear algum tipo de problema. Tais comportamentos têm em comum a falta de limites. Há inúmeros tipos de dependências tais como: à cocaína, ao crack, à bebida alcoólica, ao tabaco, à comida, ao chocolate, entre outras.

Segundo Migott (2007), o consumo de substâncias psicoativas é uma característica comum a populações da maioria dos países. As variáveis ambientais, biológicas, sociais e psicológicas atuam simultaneamente e influenciam indivíduos ao uso de drogas, o que se deve à interação entre o agente (droga), o sujeito (indivíduo e a sociedade) e o meio (contextos sócio-econômico e cultural).

De acordo com Silveira Filho (1996), quando pensamos em dependência química devemos levar em consideração que esta engloba dois outros tipos de dependência, a dependência psíquica: “estado mental caracterizado pelo impulso a utilizar uma droga psicoativa periódica ou continuamente com a finalidade de obtenção de prazer ou de aliviar uma tensão” (p.3) e a dependência física: necessidade por parte de um organismo do aporte regular de uma molécula química exógena para a manutenção de seu equilíbrio esta dependência é objetivada por sintomas físicos e psíquicos, que sobrevêm por ocasião da privação, constituindo a ‘síndrome de abstinência’. A tolerância é um estado de adaptação do organismo a uma substância, decorrente da necessidade de manutenção de sua homeostase, manifestando-se pela necessidade de aumentar a quantidade do produto para obtenção dos mesmos efeitos (SILVEIRA FILHO, 1996, p.3).

Sobre o CRACK: forma menos pura da cocaína, o crack tem um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição. Além de se tornarem alvo de doenças pulmonares e circulatórias que podem levar à morte, os usuários se expõem à violência e a situações de perigo que também podem matá-lo. Por essa caracteristica da droga - intenso prazer com curtissImo tempo de duração, um dos grandes problemas do dependente de crack é o craving. O craving ou “fissura” - como é designado, popularmente, pelos dependentes químicos no Brasil - é um conceito um tanto controverso. Pode-se aceitar a definição mais comum e considerar que é um intenso desejo de utilizar uma especifica substancia, ou, então, concordar com outros vários conceitos descritos pelos pesquisadores deste tema: desejo de experimentar os efeitos da droga; forte e subjetiva energia; irresistível impulso para usar droga; pensamento obsessivo; alivio para os sintomas de abstinência; incentivo para auto-administar a substancia; expectativa de resultado positivo; processo de avaliação cognitiva e processo cognitivo não-automatico. (ARAÚJO et al., 2008, p.57). OU SEJA, tratar um dependente de crack definitivamente não é tarefa fácil.

Sendo assim, vejo a internação compulsória como algo invasivo e sem futuro. Afinal essa ação esta sendo pensada em favor de quem? Não me parece, em absoluto, ser em favor do dependente. O envolvimento do paciente com a sua própria condição, a adesão ao tratamento, são elementos funtamentais para que este possa ter algum sucesso. Sendo realizado um trabalho satisfatório, enquanto pacientes, os dependentes químicos assumem dois papeis, são objetos do tratamento, assim como agentes de ajuda um do outro. Qual a possibilidade de isso acontecer a partir de uma internação compulsória?  Sejamos honestos, tende a zero!

Se realmente queremos pensar em um tratamento que possa ser eficaz ao dependente de crack, devemos ter claro que este não se trata de um "caso de polícia" mas sim um sério problema de SAÚDE e SOCIAL. Ou seja, é evidente a necessidade de uma equipe multidisciplinar, envolvendo médico psiquiatra, clínico geral, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais. É fundamental um espaço adequado,  o estabelecimento de uma relaçãode confiança. Mais importante do que tudo isso, é levar em consideração  que o dependente de crack não é uma pessoa diferente de nós, é deixar o preconceito de lado e termos claro que se trata de pessoas e não de sacos de lixo que podem ser  simplesmente removidos e facilmente transportados para onde menos incomodar os que estiverem por perto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dependência química - O Crack

Embora eu tenha abordado esse tema semanas atrás (Dependência química), neste momento tenho que retomá-lo diante das circunstância que, de longe, venho acompanhando. . .

 

A história não é nenhuma novidade, a GRANDE solução é sempre a mesma e esta acaba sempre dando errado. E por qual motivo isso acontece???

Vejamos:

São Paulo – “Operação desastrosa” foi a avaliação mais recorrente durante um debate nesta quarta-feira (11) para definir a ação policial na região da Luz, no centro da capital paulista, taxada de “cracolândia” por concentrar usuários da droga. A discussão foi promovida na Câmara Municipal de São Paulo. A ação integrada entre o governo estadual e a prefeitura na região promovida desde a semana passada foi criticada por parlamentares, juízes e representantes de entidades de defesa de direitos da população em situação de rua. Letícia Cruz, Rede Brasil Atual

Veja mais clicando aqui
  
“Estamos com cinco defensores públicos mais estagiários na Cracolândia desde quarta-feira passada, e posso contar nos dedos de uma mão quantos agentes municipais de saúde, assistência social e psicologia vimos.”  
Defensor Público Carlos Weis, que acompanha a ação na região



Afinal, o que está sendo feito em favor do dependente químico? Quem realmente se preocupa com eles? Quais as políticas públicas destinadas (neste momento) a favorecê-los???


. . . continua na próxima semana . . .

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A experiência e o ano que é novo

Um texto do Walter Benjamin estremeceu minhas bases hoje. Devo
dizer a verdade, elas já estão bambas faz um tempo, por várias razões.

No “Experiência” (as aspas são do próprio autor) Benjamin fala
de uma revolta contra o argumento do mais velho, do adulto, do experiente, do
vivido. A desmotivação alicerçada no acúmulo dos anos imputa(ria) para
a juventude uma fatalidade. As tentativas são vãs e levarão certamente ao
amargor da posteriori constatação que aquele que o aconselhou tinha razão. Mas
se assim o for, conforme reivindica Benjamin, estaríamos fadados à uma vida sem
sonhos, sem miras, sem vontades.

“Ele [o adulto] jamais compreendeu que existe outra coisa além
da experiência, que existem valores que não se prestam à experiência – valores a
cujo serviço nos colocamos. Mas por que então a vida é absurda e desconsolada
para o flilisteu? Porque ele só conhece a experiência, nada além dela; porque
ele próprio se encontra privado de consolo e espírito. E também porque ele só é
capaz de manter relação íntima com o vulgar, como aquilo que é o
“eternamente-ontem”” (p. 22).

Enfim, vou colocar a referência para que vocês também possam
ler, isto é, caso queiram né.

No começo de ano parece que temos a possibilidade de refazer
planos, de renovar desejos, fazer promessas. Se elas duram, ou quanto tempo
duram, é outra história. Mas há vontade, há sonhos, há espírito. Nos
relacionamos de forma diferente com o mundo, quebramos com a fatalidade da
experiência, do “isso não vai dar em nada”, ao menos inicialmente. Quer dizer,
nem sempre fazemos isso, mas somos impulsionados à.

Eu tenho a minha listinha pronta, e vou contar que tento levar
a cabo estes anseios, mas isso pouco interessa, ou interessa, sei lá eu.
Fica então a antítese: experiência/ano novo, não deu certo/vou tentar.

E como nem sempre as experiências são ruins (mas muitas vezes
nos esquecemos disso), como diz o próprio Benjamin, vou dizer que na minha
inexperiência faço o exercício de…de… reconhecer que ainda não vivi tudo e que
tampouco viverei, e a imensidão é inatingível. Mas o encontro com a nova
possibilidade não, sempre pode ser diferente.

“Diga-lhe
Que pelos sonhos da sua juventude
Ele deve ter consideração, quando for homem”
Por Patrícia F. de Andrade

REFERÊNCIA: Experiência em Reflexões sobre a criança, o
brinquedo, e a educação – Walter Benjamin (2009) – Coleção Espírito Crítico,
Duas cidades, Editora 34

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Loucura e Reforma Psiquiátrica - Parte 2

Antes de começar, gostaria de dizer que tive alguns problemas para postar nas semanas anteriores. A verdade é que estou atolado de trabalho e tenho encontrado dificuldade de postar constantemente, mas prometo que farei o possível para ter um artigo escrito a cada semana.

 Hoje darei continuidade ao artigo que comecei três semanas atrás. Falaremos um pouco sobre a história da loucura e sobre suas transformações ao longo do tempo, mas já aviso: para entender este artigo é fundamental que você leia o que já foi escrito anteriormente (clique aqui para ler). Sendo assim, a visão  o louco, que antes era considerado aquele que promete desvelar o mundo, o tempo do apocalipse, as verdades da condição humana e os segredos de satã passa a se transformar com a idéia de uma consciência crítica. Esta vai se tornando cada vez mais forte em detrimento da experiência trágica. 
 
A consciênca crítica, presente no discursos literário e filosófico, identifica a loucura à ignorância, ilusão, erro, conduta irregular, e qualifica o louco com “outro da razão” (Foucault, 2009). Identifica-se a loucura como uma cisão entre o homem e o mundo e ausência de saber. 

A crítica anunciada pela filosofia e pela literatura dá início a um processo de subordinação da loucura pela razão, processo que se radicaliza na era clássica e culmina com a instituição psiquiátrica no século XIX. O saber da loucura dá espaço para o saber da era clássica. Para Frayse (2002), o pensamento moderno aprisiona filosoficamente a loucura. Ela se estrutura no interior da sociedade burguesa. Uma sociedade voltada para os poderes da razão. Esta que fará do homem o senhor da natureza.

A idade clássica encontra em Descartes seu principal viés filosófico. Segundo Frayse (2002, p.61):
A loucura se vê privada do direito a alguma relação com a verdade. Sendo o sujeito que duvida ponto de partida do conhecimento verdadeiro [...], a loucura jamais poderá atingi-lo, pois o ato de duvidar implica o pensamento e aquele que pensa, e, por princípio, anula essa possibilidade. [...] O eu que conhece não pode estar louco, assim como o eu que não pensa não existe. Excluída pelo sujeito que duvida, a loucura é a condição de impossibilidade do pensamento.

     A radicalização do domínio da razão requer a expulsão da loucura inclusive do espaço social. Os loucos são colocados inicialmente em hospitais gerais criados por toda a Europa. A loucura não se torna um objeto de conhecimento específico, mas uma “excomunhão social” (CALMONENI, 2010, p.55)
Trata-se de recolher, alojar, alimentar aqueles que se apresentam de espontânea vontade, aqueles que para lá são encaminhados pela autoridade real ou judiciária. É preciso zelar pela subsistência, pela boa conduta e pela ordem geral daqueles que não puderam encontrar seu lugar ali, mas que poderiam ou mereciam ali estar. Essa tarefa é confiada a diretores nomeados por toda a vida, e que exercem seus poderes não apenas nos prédios do Hospital como também em toda a cidade de Paris sobre todos aqueles que dependem de sua jurisdição. (FOUCAULT, 2009, p. 49)

 Na era clássica, os critérios de internação não são definidos pela medicina e pelo discurso médico, mas por uma espécie de percepção social ou sensibilidade social. O hospital geral, criado pela iniciativa de Luis XIV, não é uma instituição médica, mas uma instituição assistencial, semi-jurídica e que isola certos tipos sociais, perigosos à ordem da sociedade. Para Foucault (2009), o hospital geral é um poder que o rei estabelece entre a polícia e a justiça e possui soberania quase absoluta.

A loucura passa a ser um problema de ordem social e precisa ser controlado quanto tal através de medidas eficazes à garantia da ordem social. A função moral dos hospitais gerais é a precaução, pois controla a massa heterogênea para afastar o inconveniente risco de revolta e da insurreição. Contudo, Foucault (2009) aponta que existe um conhecimento médico sobre o louco., mas esse profissional não se sobressai no hospital geral. É apenas na segunda metade do século XVIII que ocorrem importantes alterações que concorrem para a instituição da “doença mental” e da psiquiatria do século XIX. No nível teórico a loucura é transformada em alienação e no nível das percepções e práticas criam-se os asilos, instituições destinadas exclusivamente para o abrigo dos loucos, mas essa é uma história para a próxima semana!

Bruno Miralha Nocko
Crp: 06/106239
Tel: (11) 5734 3121