Uma observação antes de começar minha apresentação. Minhas postagens estavam previstas para as sextas-feiras, mas como quarta era um dia livre no blog, decidimos que eu escreveria as quartas e a Flavia as sextas. Sendo assim deixamos o final de semana para artigos especiais e autores convidados.
Meu nome é Bruno Miralha Nocko. Não houve uma época em minha vida que decidi com a certeza de uns: “É isso! Vou fazer Psicologia”. Eu fui mais um dos adolescentes que sofreram com as dificuldades da escolha de uma profissão. A pressão da família, da sociedade e dos amigos que já estavam certos da profissão que escolheram talvez tenham feito com que eu escolhesse as pressas, sem muita reflexão, em uma época em que eu também não estava muito interessado em pensar sobre isso. Acabei optando por fazer um curso que me desagradou bastante, o de bacharel em Física. Talvez imaginando um curso dinâmico e prático, em que muitas questões seriam respondidas e minha ânsia de um dia me tornar um professor Universitário foram os grandes motivadores de minha escolha, mas as teorias de Orientação Profissional que aprendi mais tarde, como a de Rodolfo Bohoslavski, me fizeram enxergar que existem outros motivos, talvez inconscientes do porquê, mas que não convém dizer neste momento. A verdade é que estava morando em uma cidade que pouco tinha a ver comigo (São Carlos) e que eu não estava adaptado, além de estar com dificuldades no curso. Costumeiramente, aqueles que estão fazendo um curso que não se agradam ou que são muito difíceis, mas que mesmo assim optam por seguir até o final, se arrastando até as últimas possibilidades ou até se aproximarem do tempo limite para se graduarem, gostam de se denominar sobreviventes ou mais fortes do que os que abandonaram, como um amigo que dizia: “Aqui só os fortes sobrevivem.” Prefiro pensar o contrário. Abandonar um curso em uma das melhores Universidades do País (Ufscar) para cursar uma nova graduação em uma Universidade particular (mas de ótima qualidade no meu curso) parece ser algo bastante corajoso. Comprei um guia de vestibular, li sobre os principais cursos e optei pela Psicologia. Simples assim. Sem nenhuma grande identificação, sem nenhum grande motivo (consciente) para a escolha. Tinha uma imagem de que o psicólogo tinha uma atuação exclusivamente clínica. Engrandecia-me pensar que ao me tornar psicólogo eu conseguiria ganhar dinheiro e ajudar o próximo. Eu seria o dono de um poder mágico, analisaria a tudo e a todos, quase um vidente, dono de um saber que o próprio sujeito da análise não possui sobre ele mesmo. Uma visão romântica, mas pensada pela maior parte dos alunos da graduação, como em pesquisa realizada por Silvia Leser. Eu mesmo cheguei a essa conclusão em meu trabalho de conclusão de curso que, ao estudar a formação do psicólogo, acabei me deparando com uma formação voltada quase que inteiramente para um raciocínio clínico, o que reforça o imaginário social a respeito da figura do Psicólogo e bla bla bla, mas deixemos estas “análises” para as próximas semanas, pois elas certamente virão. A verdade é que nas primeiras semanas tudo aquilo me parecia bastante confuso. Antropologia, sociologia, estatística, ética, método científico. Onde estavam as técnicas de hipnose, as técnicas de interpretação de sonhos, os assassinos mentalmente perturbados que eu esperava analisar, os testes que me dariam todas as respostas? Isso era a psicologia que eu imaginava. Resolvi dar uma chance ao curso, por que apesar de não ser o que eu esperava as aulas aguçavam a minha curiosidade. Semestres foram passando e a curiosidade aumentando, as idéias foram se modificando, eu fui me transformando e o processo de interiorização da profissão se tornava um caminho sem volta. Lembro-me da minha querida Professora Anete Farina e seus discursos calorosos durante nossas supervisões de Psicologia do Trabalho: “O importante não são as técnicas, mas a formação da postura de um psicólogo.” E a cada livro, cada texto, cada debate eu me tornava mais psicólogo e mais eu aprendia sobre mim e sobre o homem. Entendi que a psicologia era muito mais do que minha simplória visão. Hoje entendo a psicologia como um campo da ciência capaz de gerar transformações significativas no mundo e espero poder contribuir para isso.
Nas minhas postagens sempre vou tentar trazer um pouco dos autores em que me baseei, se possível oferecendo referências para que os leitores, se tiverem curiosidade, possam se aprofundar mais nas reflexões. Semana que vem pretendo começar meus artigos com uma pequena análise sobre um fenômeno bastante interessante que vem assolando as grandes cidades do país: Os motoboys. Não percam!
Bruno Miralha Nocko
CRP: 06/106234
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Que choque de realidade, hein, Brunão? Agora vc sabe que ganhar dinheiro é muito difícil e analisar tudo e todos é impossível rs.
ResponderExcluirPor enquanto a sua mudança foi a mais radical até agora. Concordo com vc, tem que ser corajoso. E vc chegou a fazer bastante tempo de curso, né?
Nossa, q "cativante" seu discurso, Bruu! Deixou até um gosto de quero mais, principalmente com o "Não percam!" hahahaha...
ResponderExcluirEstarei aqui quarta q vem sem falta, bem como todos os outros dias, os posts estão mais interessantes a cada dia! rs
beijosss
Uaaau.... sabe que, por questão de tempo, estou lendo apenas agora o seu post e achei algumas coisas parecidas com o meu! Não sei se está explícito, ou se, na verdade é parecido com a minha história e sentimentos. Como tuuudo que já li até agora gostei muito. Parabéns!
ResponderExcluirNunca soube disso...sobre essa sua "visão mágica" da Psicologia.
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